Petrobras não considera novo aumento no preço do óleo diesel no curto prazo, dizem fontes
Empresa afirma que segue monitorando o mercado, mas não vê reajuste imediato mesmo com volatilidade no preço do petróleo.

Estratégia de preços da Petrobras
A Petrobras não considera um novo aumento no preço do óleo diesel. A informação foi confirmada à Reuters por três fontes da empresa com conhecimento das discussões internas, mesmo diante do prolongamento do conflito internacional e de seus impactos sobre o preço do barril de petróleo.
Segundo as fontes, a estratégia atual da Petrobras é evitar repassar automaticamente oscilações e instabilidades geopolíticas para o consumidor brasileiro. A empresa tem adotado um modelo que considera diferentes fatores antes de realizar ajustes nos preços dos combustíveis.
"Não tem nada no radar para os próximos dias", disse uma das fontes. "A gente está sempre monitorando, mas não tem que ser toma lá, dá cá. A empresa vai sempre defender os interesses dos acionistas sem penalizar o consumidor", acrescentou uma segunda fonte.
Volatilidade no mercado internacional de petróleo
A segunda-feira apresentou sinais de forte instabilidade no mercado global de petróleo. Por volta do meio-dia, o preço do barril do Brent registrava queda superior a 10%.
A movimentação ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que um eventual ataque militar a instalações de energia do Irã poderia ser adiado por cinco dias, após conversas consideradas construtivas. A sinalização reduziu temporariamente as tensões no conflito e impactou o comportamento do mercado.
Reajuste recente do óleo diesel
No dia 14 de março, a Petrobras anunciou um aumento de 11,6% no preço do óleo diesel. A medida foi tomada após o governo federal divulgar um pacote para enfrentar os efeitos da alta internacional do petróleo.
Entre as ações anunciadas estavam:
• isenção de PIS e Cofins sobre combustíveis
• criação de um programa de subvenção ao óleo diesel
Mesmo com o reajuste, importadores do setor afirmaram que a medida não foi suficiente para eliminar a defasagem em relação aos preços internacionais, que chegou a superar 80% antes da recente queda no valor do petróleo.
Modelo de precificação adotado pela empresa
Fontes da Petrobras explicaram que a política de preços da companhia não exige o repasse imediato de altas ou quedas do petróleo em momentos de choque de oferta ou demanda.
Esse modelo vem sendo adotado desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Pressões no mercado de combustíveis no Brasil
Apesar da ausência de novo reajuste imediato, agentes do setor apontam que o mercado brasileiro enfrenta um cenário desafiador.
Entre os fatores citados estão:
• forte consumo interno de combustíveis
• retração da oferta de óleo diesel importado
• dificuldades para recomposição de estoques
Segundo dados do setor, o óleo diesel importado representa cerca de 25% do consumo nacional.
Risco para o abastecimento, segundo a ANP
Em relatório publicado na sexta-feira à noite, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis afirmou que o abastecimento de combustíveis no país se encontra em uma situação excepcional de risco.
O documento aponta fatores como retração relevante da oferta importada, pressão elevada e disseminada sobre a demanda interna, dificuldade de recomposição de estoques na distribuição e manutenção de estoques no produtor em patamar incompatível com a pressão observada na ponta.
Fonte: CNN
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