O que move o preço do óleo diesel? Mistura B15 não é a vilã
Câmbio, petróleo e a política de preços do diesel A pesam mais que a mistura B15 no valor do óleo diesel. Veja o que os dados da ANP mostram na prática.

O que move o preço do óleo diesel? A mistura B15 não é a vilã
A fração de biodiesel ora dilui, ora pressiona o custo do óleo diesel, e não é o que mais movimenta o valor pago no abastecimento: petróleo, câmbio e a política de preços do diesel A pesam mais.
O óleo diesel vendido no Brasil é uma mistura: 85% de diesel A, de origem fóssil, e 15% de biodiesel (B15). O preço relativo das duas partes muda semana a semana, segundo o levantamento da ANP divulgado pela BiodieselBR.
Em algumas semanas o biocombustível custa menos que o derivado de petróleo e ajuda a diluir o custo; em outras, a relação se inverte. Essa oscilação mostra que o teor renovável, isoladamente, não é o fator que define o valor do óleo diesel no abastecimento.
Resumo rápido

- O óleo diesel é uma mistura de 85% de diesel A, de origem fóssil, e 15% de biodiesel (B15)
- O preço relativo entre as duas partes oscila semana a semana nos dados da ANP
- Na 27ª semana de 2026, o biodiesel (R$ 5.085,56/m³) ficou 1,3% abaixo do diesel A (R$ 5.152,31/m³); na semana seguinte a relação se inverteu
- A mistura obrigatória, isoladamente, não é o que puxa o valor pago no abastecimento
- O que mais movimenta o preço é a cotação do petróleo, o câmbio e a política de preços da Petrobras para o diesel A
- Em 14 de julho, o CNPE reservou a mistura obrigatória à produção nacional de biodiesel
O peso da mistura no custo
Quando a fração renovável custa menos que a fóssil, ela ajuda a diluir o preço final em vez de encarecê-lo; quando custa mais, o efeito é o inverso. Em qualquer dos casos, o avanço da mistura obrigatória não é, sozinho, o fator que puxa o valor pago no abastecimento.
O que mais movimenta o preço continua sendo a cotação internacional do petróleo, o câmbio e a política de preços da Petrobras para o diesel A, que responde por 85% do produto.
O que os dados da ANP mostram
A ANP compara, semana a semana, o preço médio cobrado pelas usinas de biodiesel com o do diesel A na porta das refinarias.
Desde o início de março de 2026, o biocombustível passou a custar menos que o derivado de petróleo na maior parte das semanas: nas 17 semanas seguintes, o óleo diesel fóssil só ficou mais barato em três períodos.
Na 27ª semana do ano, entre 29 de junho e 5 de julho, as usinas cobraram em média R$ 5.085,56 por metro cúbico do biocombustível, contra R$ 5.152,31 do diesel A vendido pela Petrobras, uma diferença de 1,3%. Já na semana seguinte, entre 6 e 12 de julho, o levantamento apontou nova inversão: o diesel A recuou para R$ 3.840,29 por metro cúbico e voltou a ficar abaixo do biocombustível. A troca de posições em poucos dias ilustra por que a mistura não é o que define a conta.
Produção nacional garantida
Em 14 de julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou resolução que restringe a mistura obrigatória ao biodiesel produzido por usinas autorizadas pela ANP, o que, na prática, exclui o produto importado desse uso.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a produção nacional é suficiente para atender toda a demanda: dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam cerca de 40% de capacidade ociosa na indústria instalada no país. A medida tende a dar mais previsibilidade à oferta do biocombustível que compõe o óleo diesel.
O que isso muda para a frota
Para quem compra óleo diesel a granel e administra frota, a leitura é direta: acompanhar a mistura ajuda a entender o custo, mas o que move a maior parte do valor pago no abastecimento é a cotação do petróleo, o câmbio e a política de preços da Petrobras para o diesel A.
A Sol Diesel atua na distribuição de óleo diesel dentro da especificação da ANP e no teor de biodiesel vigente, com entrega no local da operação em todo o Estado de São Paulo.



