Guerras reduzem estoques globais de óleo diesel

Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia reduzem estoques globais de óleo diesel e pressionam preços
Conflitos comprometeram cerca de um terço das exportações mundiais do combustível, e analistas do setor não veem sinais de alívio para os preços com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte.
Os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia reduziram a oferta global de óleo diesel e criaram as condições para um agravamento da crise de abastecimento, à medida que a demanda tende a aumentar com o fim do verão e a chegada do inverno no Hemisfério Norte. Interrupções no Estreito de Ormuz, danos a refinarias do Golfo Pérsico e uma onda de ataques ucranianos a instalações russas restringiram severamente as exportações de regiões que, juntas, representaram cerca de um terço das exportações globais de óleo diesel no ano passado.
Resumo rápido

- Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia restringiram exportações de regiões que responderam por cerca de um terço do óleo diesel exportado globalmente no ano passado
- A Europa é a região mais vulnerável, por carecer de capacidade própria de refino e depender fortemente de importações
- Os estoques europeus caíram cerca de 30% desde o final de março, a maior retração entre as regiões importadoras
- Na referência ICE Futures Europe, o preço do óleo diesel subiu quase 40% desde a mínima registrada em 18 de junho, enquanto o petróleo Brent subiu cerca de 5% no mesmo período
- Analistas ouvidos pela reportagem não veem sinais de alívio relevante para os preços com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte
Conflitos restringem um terço das exportações globais
O aperto de oferta tem origem em dois focos de conflito simultâneos. No Oriente Médio, interrupções no Estreito de Ormuz e danos a refinarias do Golfo Pérsico afetaram a capacidade de exportação da região.
Na Ucrânia, uma onda de ataques a instalações russas teve efeito equivalente sobre a oferta russa. Somadas, essas regiões responderam por cerca de um terço das exportações globais de óleo diesel no ano passado, o que dá a dimensão do impacto sobre o mercado internacional.
Europa é a região mais vulnerável
Entre as grandes regiões importadoras, a Europa é apontada como a mais exposta à escassez, por carecer de capacidade própria de refino e depender fortemente de importações de óleo diesel.
As refinarias dos Estados Unidos e da Ásia operam a todo vapor, mas, com a demanda prestes a aumentar e os estoques em queda, a tendência é de intensificação do problema nos próximos meses. O óleo diesel é usado nos setores de transporte, indústria e aquecimento, e os compradores costumam formar estoque antes da queda de temperatura, o que reforça a pressão sazonal sobre a oferta.
A situação é agravada por um fator adicional: usinas de geração de energia em parte da Ásia devem aumentar o consumo de óleo diesel neste ano, recorrendo ao produto por não conseguirem obter gás natural liquefeito em quantidade suficiente em razão da guerra no Oriente Médio.
Preços disparam à frente do petróleo bruto
Os aumentos de preço do óleo diesel já estão bem à frente dos do petróleo. Na referência ICE Futures Europe, o preço subiu quase 40% em relação à mínima registrada em 18 de junho, enquanto o petróleo Brent subiu cerca de 5% no mesmo período.
"A Europa enfrenta um problema tremendo com o óleo diesel", afirmou Eugene Lindell, chefe de produtos refinados da consultoria FGE NexantECA. "A situação vai ficar complicada, no sentido de que provavelmente veremos preços fixos extremamente altos", disse ele, apontando reflexo nos custos de frete, na inflação e na pressão política sobre os governos.
Dado o papel vital do óleo diesel nos setores de transporte, construção e indústria, o impacto inflacionário pode ocorrer mesmo que os preços do petróleo permaneçam relativamente estáveis.
Estoques em queda e sanções agravam o cenário
Os estoques de óleo diesel nas principais regiões importadoras caíram nos últimos meses e estão bem abaixo das médias sazonais. Os estoques europeus foram os que mais diminuíram, com queda de cerca de 30% desde o final de março.
Segundo Rachel Ziemba, pesquisadora sênior adjunta do Center for a New American Security, os desafios de abastecimento da Europa também são agravados por sanções: as restrições à compra de produtos refinados russos permanecem em vigor, enquanto sanções mais rigorosas da União Europeia limitam cada vez mais as importações de combustíveis refinados a partir de petróleo bruto russo em países terceiros.
As refinarias americanas chegaram a enviar um volume recorde de combustíveis destilados, categoria dominada pelo óleo diesel, com boa parte desse volume destinado à Europa, mas essa tendência tem baixa probabilidade de se manter à medida que a demanda interna dos Estados Unidos aumenta.
Poucos sinais de alívio para o inverno
Para especialistas do setor, o quadro deve permanecer apertado. "As refinarias da Costa do Golfo não podem continuar exportando diesel para o Noroeste da Europa indefinidamente. Elas têm seus próprios problemas para resolver", afirmou Zameer Yusof, chefe de análise de produtos petrolíferos limpos da Kpler.
Segundo ele, à medida que se aproxima o primeiro trimestre do próximo ano, essas refinarias normalmente passam a direcionar cargas para os estados da Costa Leste dos Estados Unidos, para atender à demanda de aquecimento no inverno.
Também não é esperado alívio significativo vindo da Ásia: as refinarias da região devem priorizar o atendimento à própria demanda e podem dar prioridade à produção de querosene, combustível de aquecimento em países como o Japão, reduzindo a quantidade de óleo diesel disponível para exportação, segundo June Goh, analista sênior de mercado de petróleo da Sparta Commodities.
Embora a maioria dos operadores veja sinais de que a Europa enfrentará preços elevados de óleo diesel neste inverno, as compras que definirão o quadro ainda não começaram.
Muito dependerá das temperaturas ao longo do período, da capacidade das refinarias mundiais de amenizar a pressão do mercado e do volume de óleo diesel que a China decidir exportar nos próximos meses. A situação evidencia como regiões sem capacidade própria de refino suficiente ficam especialmente vulneráveis a choques no abastecimento energético global: a Europa tende a ser mais afetada do que África e América Latina, que também competem pelo óleo diesel produzido na Bacia do Atlântico, segundo Lindell, da FGE.
"Nunca nos recuperamos totalmente das perdas de refino no Oriente Médio e também perdemos a capacidade russa", disse Goh. "O sofrimento da Europa não é uma crise imediata, mas sim uma crise que se manifestará no futuro."
O que isso significa para quem opera com óleo diesel
O cenário internacional de estoques baixos e preços em alta reforça, na prática, a importância de planejamento para quem depende de óleo diesel no Brasil.
Frotas, indústrias e operações críticas que trabalham com estoque apertado ficam mais expostas a oscilações do mercado global, ainda que a origem da pressão esteja fora do país.
Nesse contexto, contar com um fornecedor que garanta previsibilidade de entrega e produto dentro da especificação da ANP passa a pesar tanto quanto o preço na escolha do parceiro de abastecimento.
A Sol Diesel distribui óleo diesel dentro da especificação da ANP, com entrega no local da operação em todo o Estado de São Paulo.



